
35ª REUNIÃO EXTRAORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 5/6/2008
Palavras do Deputado Lafayette de Andrada
Sr. Presidente, Srs. Deputados, serei breve. Quero fazer uma pequena consideração de ordem filosófica e doutrinária que acho importante. Nossa convivência em sociedade é regida por normas escritas, com as quais lidamos todos os dias - Código Penal, Código Civil, Código Eleitoral, Regimento Interno -, e por normas que não estão escritas, talvez mais importantes do que as escritas, que são as normas da boa convivência, as normas da boa educação, as normas da ética, as normas da confiança. Essas normas não estão escritas em nenhum código, mas precisam ser respeitadas e devem vigorar junto com as normas escritas. Neste Parlamento, a principal norma é o Regimento Interno, que traz as atribuições de cada parlamentar e de cada cargo aqui exercido, assim como as atribuições do Presidente e dos Líderes. Entre as atribuições do Presidente, está a formulação da pauta, competência exclusiva. É competência dos Líderes indicar os membros das Comissões, liderá-los, fazer requerimentos à Mesa durante as votações. A conduta de cada um aqui deve-se pautar pelas normas do Regimento. É uma consideração inicial que preciso fazer antes de adentrar o tema. A Presidência, as Lideranças, todos nós temos de seguir o Regimento sem nos esquecer das normas que não estão escritas. Citava o exemplo do Presidente, cuja atribuição é elaborar a pauta, o que pode ser feito discricionariamente, se assim o quiser, empurrando-a "goela abaixo", ou pode ouvir as Lideranças, ouvir os companheiros, atender ao apelo de um ou outro Deputado ou da Oposição. É assim que se constrói o entendimento. Mas também pode dinamitar pontes, exaltar os ânimos. É competência do Presidente. Assim como é competência dos Líderes fazer as indicações dos membros das Comissões empurrando-as "goela abaixo" ou ouvindo as ponderações dos companheiros. É competência de cada um. Porém, quando começamos a nos esconder na letra fria do Regimento, que nos confere atribuições, esquecendo-nos das normas que não estão escritas, das normas que norteiam a boa convivência e a harmonia entre os colegas; quando nos escudamos na letra fria do Regimento e nos esquecemos das normas que não estão escritas, é o fim da harmonia e do bom convívio parlamentar, o que é lamentável. Quando há quebra de confiança, quando há quebra da palavra empenhada, é o início do fim, é o início do desgoverno, o que é lamentável. Não é assim que se constrói a boa convivência parlamentar. De modo, Sr. Presidente, Sr. Vice-Presidente, que está conduzindo os trabalhos, registro ponderações que julgo de extrema importância, pois se referem a algo que atinge em cheio a boa convivência e a harmonia entre os parlamentares desta Casa. Este registro é importante e não posso deixar de fazê-lo. No mais, Sr. Presidente, declaro que foi com muita satisfação que votei favoravelmente ao projeto de lei que acaba de ser aprovado (PL 2199/20008).
