
2ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 2/10/2007
Palavras do Deputado Lafayette de Andrada
Caro Presidente, Deputado Dalmo; ilustre Deputado Dinis Pinheiro, autor do projeto; nobres Deputados que compõem a Mesa; Prefeitos e Prefeitas; Vereadores. Serei breve. Sou de uma região, a Zona da Mata, onde a grande maioria dos Municípios, com a aprovação desse projeto, seriam contemplados com aumento em sua arrecadação. Tenho a obrigação, em homenagem aos mineiros que me apoiaram e votaram em mim, de votar a favor desse projeto. Faço uma observação, não contra ou a favor dele. Quero refletir sobre a realidade dos Municípios brasileiros, sobretudo os mineiros.
Não existe Município rico em Minas Gerais; não existe Município rico no Brasil. Se olharmos os maiores, aqueles que têm a maior arrecadação, veremos que sua renda per capita de R$80,00 é considerada altíssima, em comparação com aqueles que têm uma renda baixíssima, de R$14,00 ou R$15,00. Isso está errado. O que existe no Brasil hoje é uma cegueira do governo federal, para esmagar os Municípios; e é isso que não podemos aceitar.
Os Municípios do País ficam com cerca de 15% da arrecadação total. As riquezas do País são distribuídas para quase 6 mil Municípios, à ordem de 15%. Cerca de 25% da riqueza nacional são repartidos entre os Estados. E sessenta e tantos por cento são concentrados na mão do governo federal, que fica exigindo dos Municípios contrapartidas para obras, para educação, para transporte, empurrando goela abaixo percentuais mínimos que devem ser gastos com isso ou aquilo. Ele exige dos Municípios que façam isso ou aquilo. E ele não faz nada para esses Municípios. Os Prefeitos estão há quanto tempo com o pires na mão? Essa palavra é a verdade, por mais chula que seja. Os Municípios estão pedindo ao governo federal 1% do FTN. Há quanto tempo o governo federal está prometendo isso?
Não podemos admitir que o governo federal, como nos últimos dez anos, continue criando novas contribuições. Qual o objetivo disso? Não repartir com os Municípios. A Constituição é muito clara. Os impostos arrecadados do governo federal têm de ser repartidos entre União, Estados e Municípios. O que o governo federal faz? Cria uma contribuição que nada mais é do que um imposto com nome diferente. E diz que contribuição não precisa ser dividida com Estados e Municípios.
Quando foi votada a Constituição Federal de 1988, os impostos eram o dobro das contribuições, em termos de valores. Hoje, as contribuições são maiores que os impostos. As contribuições ficam
todas na goela do governo federal.
Quero parabenizar o Deputado Dinis Pinheiro por ter proposto esta discussão. Não sei se esse é o melhor caminho. O fato é que do jeito como está não pode continuar. Será que a receita para
consertar será ICMS Solidário? É uma boa idéia. O Deputado Dinis Pinheiro foi corajoso, pois trouxe uma proposta, apresentou uma alternativa. Não sei se é melhor ou pior, mas temos de discutir, temos de propor soluções, porque os Municípios estão à míngua e à míngua não podem ficar. Temos de bater no governo federal, que engole mais de 60% da arrecadação e sem dividir com os Municípios, exigindo deles obrigações que não cumpre.
Sr. Presidente, Srs. Deputados, quero parabenizar o Deputado Dinis Pinheiro e todos que estão aqui debatendo, porque estão mostrando a insatisfação dos Municípios com a realidade nacional.
Essa insatisfação é nossa também.
Quero parabenizar, mais uma vez, o Deputado Dinis Pinheiro, que teve a coragem de expor essa ferida, que teve a coragem de trazer aqui esse problema. Esperamos que todos nós, parlamentares, Vereadores, Prefeitos, Vereadores públicos sérios, acima das questiúnculas pequenas, possamos debater esse problema. Oxalá possamos encontrar uma solução que satisfaça os Municípios de nosso país, sobretudo os de Minas Gerais. Muito obrigado.
