
31ª REUNIÃO ESPECIAL DA 1ª SESSÃO LEGISLATIVA ORDINÁRIA DA 16ª LEGISLATURA, EM 30/8/2007
Palavras do Deputado Lafayette de Andrada
Exmo. Sr. Deputado João Leite, representando o Deputado Alberto Pinto Coelho, Exmo. Sr. Presidente da Assembléia Legislativa do Estado de Minas Gerais; Exmo. Sr. Fernando Antônio Xavier Brandão, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais; senhores membros do Instituto; senhores e senhoras. Não faz muito, fui procurado pela Deputada Elbe Brandão - atualmente integrandocom brilhantismo o secretariado mineiro -, a qual me solicitou que formalizasse requerimento à Assembléia para homenagear o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, pelo centenário da instituição. O mérito da iniciativa que levou à solenidade de hoje, portanto, cabe à prezada colega Elbe, mas a ela me associo como signatário do requerimento e, mais ainda, como admirador que sempre fui dessa entidade que, há 100 anos, engrandece os foros da cultura mineira. Com efeito, minha afinidade com nosso homenageado tem vinculação com uma das mais caras referências de minha família. Meu bisavô, o Embaixador José Bonifácio de Andrada e Silva, foi membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, e eu, desde sempre, ouvia falar sobre esse que era um dos títulos de que meu ancestral ilustre mais se orgulhava. Ora, pode-se dizer que o Instituto Brasileiro é a"alma mater" de seu congênere mineiro, donde a solenidade de hoje tem para mim o significado de um reencontro. Cumpre-me, agora, em nome deste Parlamento, saudar o Instituto pelos seus 100 anos de existência, e confesso que o faço com um misto de satisfação e de inquietude. A satisfação advém da certeza de que esta Assembléia promove homenagem justa e oportuna. Já a inquietude decorre da responsabilidade que me atribuem, de proferir palavras que correspondam ao mérito da instituição.
Quando se fala em história e geografia, vêm-me à lembrança as lições dos bancos escolares, quando - sobretudo em relação ao Brasil - eram-me descritas a riqueza de nosso meio ambiente e os feitos de nossos maiores, a partir do Descobrimento. Essas primeiras noções foram-se sedimentando com leituras e pesquisas, de modo que hoje tenho idéias definidas sobre as duas matérias. Assim entendo, de forma linear, que a história não se faz sem o arcabouço da geografia, tal como o compreendia o historiador inglês Edward Gibbon, autor do clássico "Declínio e Queda do Império Romano". Segundo ele, Roma não teria sido titular de um Império não fosse sua localização geográfica, entre dois mares e a meio caminho de todo o mundo então conhecido.
Senhoras e senhores, é para essa básica premissa - segundo a qual a história não se faz sem a geografia - que gostaria de pedir sua atenção, ao discorrer sobre o Instituto histórico e Geográfico de Minas Gerais: tal como o Instituto Brasileiro e tal como, na melhor tradição da cultura íbero-americana, a Academia Portuguesa de História e a Real Academia de la Historia, de Madri, o Instituto mineiro cultiva as duas ciências com aquela seriedade e objetividade que muito contribuem para colocar Minas Gerais na vanguarda do conhecimento. O Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais foi fundado exatamente em 15/8/1907 pelo então Presidente do Estado, Dr. João Pinheiro da Silva. Juntando-se, à época, a um grupo de luminares de nossa cultura, o Dr. João Pinheiro partiu para a empreitada de coligir, metodizar e arquivar os documentos relativos à história e à geografia, notadamente aquelas de nosso Estado, a par do estímulo à pesquisa e à divulgação. A iniciativa deu bons frutos.
Hoje, decorrido um século, o Instituto se destaca não só entre os congêneres nacionais, mas também - sem falsa modéstia - entre aquelas instituições semelhantes do continente americano. Seu trabalho, extrapolando as disciplinas originais, compreende a pesquisa, o estudo e a divulgação de vários outros ramos do conhecimento, como a Geologia, a Arqueologia, a Antropologia, a Sociologia, a Paleontologia, a Heráldica, a Genealogia, a Medalhística, o Indigenismo e a Estatística.
Longe de corresponder à imagem preconcebida do leigo, segundo quem nosso homenageado poderia ser simplesmente uma congregação de letrados, discutindo temas bizantinos em cima de empoeirados alfarrábios, uma vista d'olhos nas atividades do Instituto indica-nos tratar-se de órgão atuante e dinâmico, que acompanha os novos tempos e a eles se integra. Nesse pressuposto, mantém um dos maiores acervos culturais do Estado, com obras sobre História, Geografia e Ciências ou disciplinas afins, reunidas em biblioteca, mapoteca, pinacoteca, hemeroteca, museu e arquivo, todos abertos ao público. Edita uma revista que já está no 30º volume, à qual se junta o boletim mensal. Promove encontros, simpósios e debates periódicos como agora, por ocasião do centenário, com o I Congresso Brasileiro de Institutos Históricos e Geográficos. Seu corpo social, composto de representantes dos vários setores da sociedade, reúne nomes respeitáveis entre médicos, engenheiros, advogados, professores, juristas e empresários. Sua vedação estatutária às discriminações políticas, filosóficas e raciais amplia o horizonte dos estudos e pesquisas que patrocina. E, entre as muitas ações por que responde, merece registro o convênio que mantém com o Ministério da Fazenda em Minas Gerais. Tem ele por finalidade elaborar trabalhos técnico-científicos relacionados com o Centro de Estudos do Ciclo do Ouro, mantido pelo Ministério, instalado na bicentenária Casa dos Contos de Ouro Preto, e com o Museu Fazendário, com mostras permanentes do Banco Central e da Casa da Moeda do Brasil.
Se o Instituto, ao longo dos anos, sempre foi merecidamente prestigiado pelo Executivo mineiro, é gratificante verificar agora que um dos projetos prioritários do governo Aécio Neves, o da Estrada Real, consolida-se exatamente por ocasião do centenário que comemoramos. A preocupação de nosso Governador, de desenvolver o Circuito Turístico da Estrada, tudo tem a ver com a geografia e a história de nosso Estado, e sua repercussão socioeconômica é das mais relevantes.
Pois é concomitantemente com o renascer da Estrada Real, cenário geográfico imponente e variado e precioso relicário histórico, que o Instituto Histórico e Geográfico celebra seus 100 anos de fundação. Quer isso dizer que a afinidade entre nossos governantes e o nosso homenageado é profunda e se confunde com o interesse maior do povo mineiro.
Segundo o geógrafo Vidal de La Blache, a Geografia é a ciência dos lugares. Já o enciclopedista Jacques Bossuet, no "Discurso sobre a História Universal", afirma que toda a história foi escrita pela mão de Deus. Pois, parafraseando Vidal de La Blache e Bossuet, direi que a escrita de Deus se inscreve nos lugares por Ele criados, e que a geografia e a história transcendem os próprios limites para agirem como vetores do destino do homem. Nesse contexto, o Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais assume a magna tarefa de preservar e desenvolver o legado mineiro com sabedoria e critério.
Portanto, senhoras e senhores, ao homenagear o Instituto pelo seu centenário, a Assembléia Legislativa vem reconhecer o trabalho inestimável que, por 10 décadas consecutivas, registra-se em prol de nossa cultura e de nossa gente. Como orador oficial deste ato, em meu nome e no de cada um dos colegas Deputados, cumpre-me apresentar ao homenageado nossos parabéns calorosos, que endereço em especial ao Presidente, Sr. Fernando Antônio Xavier Brandão, aos demais Diretores e associados e ao Presidente emérito, Sr. Marco Aurélio Baggio. A todos, nossos cumprimentos e a manifestação de nossa certeza de que continuarão, como sempre, a implementar a inteligência e a intelectualidade mineiras. Às senhoras e aos senhores que prestigiam esta solenidade, nossa saudação cordial e nossos agradecimentos sinceros. Muito obrigado e boa noite.
